Existe uma expressão popular interessante: "engolir um sapo", usada para descrever situações em que engolimos, metaforicamente, algo desconfortável — uma raiva, uma frustração, uma mágoa não expressa. Curiosamente, muita gente faz isso de forma bem literal, através da comida.
Quando o prato vira depósito de emoção
Existem sentimentos que muitas pessoas nunca aprenderam a processar diretamente: raiva reprimida, tristeza não validada, frustração que não teve espaço para ser expressa. Quando isso acontece repetidamente, a comida pode assumir o papel de "destino" dessas emoções — um jeito, ainda que inconsciente, de dar vazão a algo que não encontrou outro caminho.
Como reconhecer esse padrão em você
Alguns sinais possíveis: comer rápido demais, quase sem perceber, logo após uma situação de conflito ou frustração. Sentir uma urgência de comer que não tem relação nenhuma com o horário da última refeição. Perceber que come mais nos dias em que "engoliu" alguma situação difícil — uma crítica no trabalho, uma discussão evitada, uma decepção não processada.
Por que isso acontece com tanta frequência
Muitas pessoas cresceram em ambientes onde expressar certas emoções — raiva, principalmente — não era bem-vindo ou seguro. A comida, sempre disponível e socialmente aceita, se torna um canal alternativo: mais fácil de acessar do que confrontar diretamente o que está sendo sentido.
A comida nunca resolve uma emoção — ela só adia o momento de sentir o que precisa ser sentido.
O primeiro passo: dar nome ao que está sendo engolido
Antes de tentar "controlar" o comportamento alimentar em si, vale a pergunta mais honesta: o que eu não deixei sair hoje? Que emoção eu evitei sentir ou expressar? Esse simples exercício de nomear, sem julgamento, já começa a criar um espaço entre a emoção e o ato automático de comer.
Vamos colocar isso em prática, juntas?
Cada corpo é único — o seu plano também deveria ser. Agende sua consulta e vamos construir isso juntas.
Agendar Consulta pelo WhatsAppComo a nutrição comportamental trabalha isso
Esse é um dos territórios mais delicados e mais importantes do meu trabalho: ajudar cada paciente a reconhecer quando a comida está sendo usada como destino de emoções não processadas, e construir, aos poucos, outros caminhos possíveis para essas emoções — sem depender exclusivamente do prato para dar conta do que está sendo sentido. É um processo que exige tempo e acompanhamento, mas que transforma profundamente a relação de uma pessoa com a própria comida.
