"Eu já nasci gorda, é genético, não tem muito o que fazer" — essa é uma crença que aparece com frequência em consulta. E a genética realmente importa no seu peso, sim. Mas o papel dela é bem diferente do fatalismo que essa frase carrega.
Os principais genes ligados ao peso corporal
Gene FTO
Um dos genes mais estudados em relação à obesidade. Está associado à regulação do apetite: pessoas com determinadas variantes desse gene tendem a ter menor percepção de saciedade, o que favorece maior ingestão calórica ao longo do dia sem perceber.
Gene MC4R
Atua no sistema nervoso central, regulando apetite e gasto energético. Variantes de risco nesse gene estão associadas a maior tendência à compulsão alimentar e a uma preferência natural por alimentos mais calóricos e palatáveis.
Genes LEP e LEPR (leptina e seu receptor)
A leptina é o hormônio que sinaliza saciedade ao cérebro. Alterações nesses genes podem prejudicar esse sinal, fazendo com que o cérebro demore mais para "perceber" que o corpo já recebeu energia suficiente.
Gene CLOCK
Relacionado ao ritmo circadiano, influencia hábitos alimentares noturnos. Variantes nesse gene podem dificultar o controle da fome à noite, especialmente em quem tem rotina de dormir mais tarde.
O ponto mais importante: epigenética
Ter uma variante genética de risco não significa uma sentença fechada. A epigenética é o campo que estuda como fatores ambientais — alimentação, sono, estresse, atividade física — influenciam a expressão desses genes, "ligando" ou "desligando" parte do seu efeito. Isso significa, na prática, que uma pessoa com predisposição genética à obesidade pode, com as estratégias certas, manter um peso saudável — só que precisa, possivelmente, de mais atenção a esses fatores do que uma pessoa sem essa predisposição.
Genética carrega o dado de partida. Não determina, sozinha, o resultado final.
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Agendar Consulta pelo WhatsAppO que muda na prática, sabendo disso
Para quem tem essa predisposição genética, dietas extremamente restritivas tendem a ser ainda mais difíceis de sustentar — porque a sensação de saciedade já é naturalmente mais fraca. Isso reforça a importância de um plano que trabalhe estratégias específicas: refeições estruturadas para compensar a percepção de saciedade reduzida, atenção redobrada ao comportamento alimentar, e paciência com o processo, sabendo que ele pode, sim, exigir mais tempo e mais suporte do que para outras pessoas — sem que isso signifique fracasso pessoal algum.
Genética não é desculpa, nem é sentença
Entender sua predisposição genética não deveria funcionar como desculpa para desistir ("já nasci assim, não adianta"), nem como sentença definitiva. Deveria funcionar como informação — que ajuda a construir uma estratégia mais realista e mais gentil com você mesma, em vez de comparar seu processo com o de pessoas que não carregam a mesma predisposição.
